Saturday, May 23, 2009

Meu vizinho Totoro




Meu vizinho Totoro

Duas meninas se mudam com seu pai para o interior do Japão, com o objetivo de ficar perto da mãe (que está internada em um hospital). Lá, elas viverão muitas aventuras ao lado do espírito protetor da floresta Totoro.

My Neighbor Totoro (となりのトトロ, Tonari no Totoro, lit. The Twoll Next Door), Japão, 1988. Direção: Hayao Miyazaki. Elenco: Noriko Hidaka, Chika Sakamoto, Shigesato Itoi. Duração: 86 minutos.


M.

Totoro é mais uma animação “bonitinha” de Miyazaki. Em comum com Ponyo os temas de família e natureza, embora me tenha parecido com um tom menos infantil. A história aqui é sobre duas garotinhas que vão morar no “interior” juntamente com seu pai, pra ficarem todos mais perto do hospital onde a mãe está internada. Lá, elas acabam entrando em contato com espíritos da natureza, dentre eles, Totoro. Li que a trama é uma referência autobiográfica de Miyazaki (a parte da família e da mãe, não do contato com os espíritos da natureza), que passou por uma situação familiar quando era criança.

Gostei muito da estética. Acho massa quando nos desenhos mostram aspectos culturais, como o cultivo dos campos de arroz, e os pequenos altares para deuses, espíritos ancestrais, ou sei lá o que, no meio do nada. Os espíritos da floresta também ficaram bem interessantes embora, confesso, dada a fama de Totoro, achei que ele tivesse uma maior participação na trama.

No geral, gostei e recomendo!


Rafinha

Em Meu vizinho Totoro, uma animação de 1988, conhecemos a história de Mei, sua irmã mais velha Satsuki, seu pai e sua mãe que está internada em um hospital se recuperando de uma doença que não é explicitada.

Eles se mudam para uma casa no campo próxima ao hospital. Embora tristes com a prolongada doença da mãe, as meninas estão muito felizes por poderem brincar livremente, e logo começam a explorar as redondezas. Mei, a caçula de 4 anos, logo se encontra com o senhor da floresta, a quem ela começa a chamar de Totoro. Pelo que eu entendi, quando ela pergunta como ele se chama, ele dá uns grunhidos e a pequena Mei acha que Totoro é seu nome.

Uma das coisas que eu gosto nas animações do Studio Ghibli é o encantamento e a falta de medo dos personagens diante de situações e seres que para nós, criados e educados para tremer diante do desconhecido, seriam simplesmente assustadores. Por exemplo, a possibilidade da casa nova ser mal-assombrada é excitante para todos da família.

Totoro é um ser imenso parecido com uma topeira (ou coelho ou gato) com patinhas de bicho preguiça e uma barriga fofinha. Ele possui seu próprio meio de transporte, um gato-ônibus com olhos de farol e sorriso de Cheshire Cat.

O primeiro encontro de Mei com Totoro é uma das cenas mais lindas. Outra coisa muito bacana nas animações do velhinho Miyazaki, as crianças sempre são representadas com dignidade e de forma realista, quando digo realista me refiro ao fato delas serem, afinal, crianças, sem aquela mania do cinema ocidental de retratá-las como adultos em miniatura.

Quem viu A viagem de Chihiro logo vai lembrar dos susuwatari, as bolinhas pretas parecidas com ouriços do mar que trabalham carregando carvão. Os susuwatari são chamados também de soot sprites, black soots ou dust bunnies, pequenos seres com olhos que vivem na escuridão, eles são os responsáveis por deixar uma casa vazia toda empoeirada e basta uma boa risada para espantá-los.

No Japão, Totoro é tão conhecido e amado quanto Mickey Mouse nos estados Unidos. Na verdade, a animação foi responsável por trazer notoriedade às animações japonesas em geral, até a atenção da Disney foi chamada com o seu lançamento.

Totoro é tão cool que até Neil Gaiman já fez referência a ele, ou talvez tenha sido Jill Thompson porque foi ela que desenhou. De qualquer forma, no arco Vidas Breves de Sandman, Delirium está na cama soprando “bolinhas” de sabão, uma das formas que aparece é o Tororo segurando um guarda-chuva. Pra quem não lembra ou só está curioso, segue a foto da HQ. Se não conseguiu ver direito, pegue lá seu exemplar de Sandman que eu sei que você tem.




Ao longo desses 21 anos, a história de Totoro já foi parodiada muitas vezes e muitos artistas fizeram suas próprias versões, abaixo a versão simpsonificada de Totoro, da artista Nina Matsumoto. Aquela que transformou os simpsons em mangá, lembra?





Totoro tem até mesmo um cinturão de asteróides com seu nome, 10160 Totoro foi descoberto em 1994 e batizado em homenagem ao “coelho” cinza do Sr. Miyazaki.
Bacana, né?

Sunday, May 10, 2009

Ponyo on the cliff by the sea


Ponyo on the cliff by the sea

Ponyo é uma peixinha dourada que conhece o garoto Sosuke, de apenas cinco anos de idade. A amizade entre os dois é tão grande que Ponyo resolve se tornar humana só para ficar mais tempo ao lado de seu amigo.

(Gake no ue no Ponyo) 2008. Direção: Hayao Miyazaki. Elenco: Yuria Nara (Ponyo voice), Kazuko Yoshiyuki (Toki voice), Cate Blanchett (voice: English version), Noah Lindsey Cyrus(voice: English version), Matt Damon (voice: English version). Duração: 100 minutos.


Rafinha

Hayao Miyazaki é um velhinho japonês com alma de mágico. Até hoje só assisti 3 filmes dele, ´A viagem de Chihiro´, ´O castelo animado´, e agora ´Ponyo´, todas animações geniais, com histórias extremamente ricas e personagens cativantes. Estão na lista do utorrent, ´Princesa Mononoke´ e ´Meu vizinho Totoro´.

Ponyo é a mais nova animação do Studio Ghibli, que pertence ao Sr. Miyazaki. Fiquei sabendo que, devido a sua idade avançada, o Studio Ghibli está sob a responsabilidade de seu filho, que parece ter herdado a genialidade do pai.

Ponyo é uma peixinha dourada que sonha em ser menina. Sua mãe é uma deusa do mar e seu pai é um maluco com olheiras profundas que vive enfurnado em uma bolha preparando poções mágicas. Ponyo começa a se tranformar em menina ao provar do sangue de Sosuke, um menino de 5 anos que a leva pra casa em um balde. Acontece que seu pai, o maluco com olheiras, não quer que ela se transforme em menina, por que isso acarretaria o fim do mundo.

Ponyo como menina é uma gracinha, extremamente excitada com as coisas mais triviais dos seres humanos. A historinha é linda, entretanto bem mais infantil que as duas citadas acima, e que mesmo assim não pode ser comparada com algumas bobagens feitas pela Disney. Até mesmo em uma historinha tipicamente para crianças, Myiazaki consegue elevar a animação a um nível que a Disney nunca conseguirá alcançar.


M.

Sofri por meses, desde que Rafinha ficou sabendo da existência dessa animação, e ficava cantando em loop, ad infinitum, os dois primeiros versos da música tema. =)

O fato é que temos aqui mais uma animação de Hayao Miyazaki muito bonita. Gosto muito dos traços dos animes em geral, bem como da aura de “realidade mágica”, que as animações dele, especificamente, costumam ter: um mundo real, unido num mundo mágico.

Desta vez ele narra a saga de uma “peixinha”, chamada Ponyo, que quer virar uma menina, para poder ficar com seu amor, Sosuke, um garotinho de cinco anos. O estilo é um pouco mais infantil do que os anteriores que assisti (Chihiro e Castelo Animado), mas ainda assim muito agradável. Um bom filme para assistir num momento que você pretende relaxar com algo simples, leve e bonito.

Thursday, May 7, 2009

Deixa Ela Entrar - Let The Right One In


Deixa Ela Entrar

Oskar é um menino de 12 anos que é maltratado no colégio. Ele se apaixona por Eli, uma garota bastante peculiar. Eli dá a Oscar a força para que comece a revidar tudo que sofre nas mãos de seus colegas.

(Låt den rätte komma in) Suécia, 2008. Direção: Tomas Alfredson. Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl. Duração: 115 min. Classificação: 13 anos.


Rafinha


Deixa Ela Entrar é um filme sueco sobre uma menina vampira.
Eli é a tal da menina vampira, eternamente presa em um corpo de 12 anos. Oskar é o menino que apanha dos outros no colégio. Eles se tornam amigos e Oskar, incentivado por Eli, começa a reagir às porradas que leva.

Sabe aqueles filmes bacanas como Drácula de Bram Stoker e Entrevista com o vampiro? (Crepúsculo, por ser a pior história de vampiros de todo o universo conhecido e desconhecido não entra aqui) Pois então, Deixa Ela Entrar não tem nada a ver com esses filmes, a mitologia vampírica é algo bem sutil na história, a própria Eli em determinado momento diz: “Eu sou igual a você, Oskar. Não está vendo?”.

Eli não tem pele de diamantes (Vai se fuder Stephenie Meyer!), nem há referência a alho, cruz e água benta, nem mesmo as presas da menina são mostradas. Há sim a aversão ao sol e o fato de precisar de convite para entrar em casas alheias. Eu sempre achei essa regra um tanto psicológica, e o Oskar também. Ele questiona isso a Eli, e a inexperiente menina vampira não sabe responder, essa cena acaba sendo uma das mais interessantes.

Deixa Ela Entrar pode até ser considerado um romance, bizarro e sangrento, mas ainda sim um romance. Hollywood, como não poderia deixar de ser, já comprou os direitos para refilmar, e aposto que eles vão fazer uma cagação melosa de amor romântico pau no cu. O diretor do filme ficou puto com isso, li uma entrevista dele dizendo que não entendia a obsessão dos americanos com refilmagens e que seu filme já era bom o suficiente. Esperemos.

A caracterização e a entonação da voz de Eli são muito boas, a menina parece realmente um pequeno demônio habitando um corpo infantil.

O filme não é sensacional, nem o melhor filme já feito sobre o tema, mas é sempre bom ver um filme sobre vampiros, isso quando não há vampiros com pele de diamante nele.


M.

Este é um filme que narra o relacionamento entre uma menina-vampira e um garoto vítima de bulling, que acabam sendo vizinhos. De início quero confessar que assisti um pouquinho contrariado, já que foi uma versão dublada em inglês. Coisa de americano que não sabe ler legenda e considera um absurdo qualquer filme que seja feito em outra língua que não a deles.

Reclamação inicial à parte, é um filme interessante. Gostei bastante da estética, com a neve cobrindo tudo. Além do aspecto da beleza, acredito que isso é algo que modifica as relações sociais, pelo menos em comparação ao modo como elas se dão em boa parte do nosso país, que é constantemente ensolarado. A neve e o frio fazem as pessoas se fecharem mais nelas mesmas.

Sempre que vejo filmes em que há uma criança que se tornou vampiro, fico questionando a construção da psique da personagem. No caso em questão optaram por a deixar muito mais próxima da de uma criança, embora a sinopse indique que a menina-vampira já tem doze anos a duzentos. Não sei se, na prática, seria assim que ocorreria. Mas essa é muito mais uma digressão nerd sobre aspectos psicológicos de algo inexistente do que qualquer outra coisa.

O filme não é uma obra-prima que vai mudar sua vida, mas também não é ruim. É um bom filme, que não ofende sua inteligência, nem contraria os aspectos gerais do mito sobre os vampiros, não fazendo, por exemplo, que eles sejam seres cuja pele brilha lindamente na luz do sol.

Saturday, May 2, 2009

X-Men origens: Wolverine


X-Men Origens: Wolverine

A origem do mutante Wolverine - de sua infância no Canadá ao confronto com o programa Arma X - anos antes de sua entrada no grupo X-Men.

(X-Men Origins: Wolverine) EUA, 2009. Direção: Gavin Hood. Elenco: Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston. Duração: 111 min. Classificação: 12 anos.

Rafinha

Assistimos Wolverine em uma sessão absurdamente lotada no Iguatemi, mas pelo menos conseguimos bons lugares e as pessoas ficaram quietas durante o filme. Tinha uma velha louca sentada na mesma fila que nós que guardou dois lugares e não deixava ninguém sentar, só sei que ela levou cano e ninguém apareceu, quando o filme começou ela saiu e largou lá os três lugares, bom pra nós que pegamos lugares mais no meio da fila.

Vamos lá então, eu tinha visto a versão inacabada, aquela que vazou na net e que deixou Hugh Jackman putinho. E tirando os cabos de aço aparecendo e de poucas cenas de luta com bonequinhos sem rosto, a versão final é igual à inacabada.

Eu sou uma ignorante em relação ao universo X-men, sabia como Wolverine havia ganhado o esqueleto de adamantium e perdido a memória, tirando isso, sabia de mais nada. Fontes confiáveis me informaram que eles cagaram um monte na história original. De qualquer forma, o filme é apenas um bom filme de ação. Com muitas cenas de pancadaria, óleo de amêndoas nos músculos de Hugh Jackman, frases de efeito usadas ad infinitum, mocinha que morre, yada yada yada. Alguns rombos no roteiro insultam a inteligência de espectadores mais exigentes. Gostei mesmo foi de Liev Schreiber como Dente de Sabre, eu sempre o achei um cara talentoso, embora na maioria das vezes ele seja coadjuvante e fique lá escondidinho, acho que por ele não ser gatinho. Hollywood tem dessas coisas. Mesmo em seu único trabalho como diretor – Uma vida iluminada, aquele filme de 2005 com o Frodo – ele fez um trabalho bacana.

No final de Wolverine tem duas cenas extras, uma logo após o fime e outra depois dos créditos. Vale só pela curiosidade de ver mesmo.

M.

Quem, como eu, acompanhou as publicações de X-Men e Wolverine ao longo das décadas de oitenta e noventa, sabe quantas e quantas vezes a origem de Logan foi contada e recontada, antes, durante e depois, inclusive, do HQ “Arma X”, que prometia revelar toda a verdade sobre a origem do dito cujo. Posso então tentar encarar o filme como mais uma tentativa de contar essa origem, nem menos, nem mais verdadeira que as outras. Mas isso não implica que não possa classificar essa tentativa como pior e menos coerente do que as anteriores.

Wolverine é, mais do que tudo, um filme de ação. Tem muita explosão, muito raio óptico de Summers destruindo tudo, muita luta bem coreografada. Mas tem também muita contradição e muito clichê. Não é que o filme seja um lixo, mas com certeza é muito menos do que poderia ter sido. Acho que a pressa na produção em série para não perder qualquer possibilidade de lucro derivada do sucesso dos X-Men vem comprometendo a qualidade. E isso não é algo que apareça pela primeira vez aqui, vem já do terceiro episódio da série, que foi mais fraquinho do que os dois anteriores. É por coisas como essa que o velho-doido-fumador-de-haxixe-adorador-do-lagarto não deixa colocarem o nome dele nos filmes.

Vamos voltar a pesquisar direitinho, ler o histórico dos personagens e dar coerência à coisa, ao invés de simplesmente deixar finais já com a deixa da continuação para o próximo blockbuster. Nem é tão difícil, vocês já fizeram isso bem algumas vezes, tendo a última delas sido com nosso amigo Tony Stark. Garanto que, a longo prazo, vocês ganham mais dinheiro assim, vão por mim.

Tuesday, April 28, 2009

Sinédoque, Nova Iorque

Sinédoque, Nova Iorque

Diretor teatral monta uma peça de proporções gigantescas baseada em sua própria vida conturbada.

(Synecdoche, New York.) EUA, 2008. Direção: Charlie Kaufman. Elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Michelle Williams. Sinopse: Duração: 124 min.


Rafinha

Considero Charlie Kaufman um dos mais talentosos roteiristas da atualidade. Pra quem não lembra, ele escreveu os roteiros de Quero ser John Malkovich, Natureza quase humana, Confissões de uma mente perigosa – que até hoje não me perdôo por ter perdido a oportunidade de comprar por 12,90 -, Adaptação, Brilho eterno de uma mente sem lembranças, e agora Sinédoque, Nova Iorque, que também foi dirigido e produzido por ele.

Já disse antes que filmes com temática surreal e nonsense despertam meu interesse na hora, muito graças à Kaufman pois seus roteiros sempre são ótimos. Suas parcerias com Spike Jonze e Michel Gondry sempre rendem trabalhos interessantíssimos. Tá, eu babo ovo mesmo.

Sinédoque, Nova Iorque é um filme mais pesado que os anteriores. Por exemplo, em Brilho eterno a sensação que fica quando o filme acaba é boa, em Sinédoque não. Não que o filme seja ruim, mas o tema – morte, velhice – me sensibiliza mais e me faz pensar em coisas que eu não quero pensar, muito menos nessa fase de minha vida.

Começando pelo título, Sinédoque é uma figura de linguagem usada quando se usa uma parte para falar do todo e vice-versa.

Caden – o fantástico Philip Seymour Hoffman - é um melancólico diretor de teatro que é abandonado pela mulher e pela filha. Ao receber uma doação de uma grande quantidade de dinheiro para usar em um novo projeto, ele começa a criar e montar a peça de sua vida. A peça é, basicamente, um pedaço da cidade de Nova Iorque construído, literalmente, dentro de um galpão gigantesco, onde as pessoas encenam dia e noite. Milhares de pessoas. A peça é, afinal, a vida de Caden. Ficção e realidade começam a se misturar, pessoas são contratadas para interpretar Caden e as pessoas que estão ao seu lado. Parece um pouco confuso, mas ao assistir com atenção, as coisas se encaixam. Taí a tal da sinédoque.

No final, um dos atores faz um discurso muito bonito sobre como somos miseráveis e ninguém se importa, porque afinal todos tem suas tristezas para lidar.
Charlie Kaufman sempre vale a pena, é o que eu digo.


M.


Estamos na temporada de assistir filmes sobre tempo, doença, velhice, sanidade, morte e essas coisas que causam distúrbios na minha mente. Todos sabemos que todos morrem um dia, mas isso fica numa perspectiva totalmente diferente quando você de fato dedica um tempo para pensar, sem nenhuma muleta metafísica, que você vai morrer um dia. Não que esteja reclamando de ter tais pensamentos, porque acho que sou até um eu melhor quando estou em tal estado, mas que é pesado, é.

“Synecdoche, New York” é mais um filme de Charlie Kaufman que me conquistou. Kaufman está cada vez mais ganhando seu lugar entre meus roteiristas prediletos. O filme narra a história de Caden Cotard, um diretor de teatro que vive uma vida angustiada (e talvez hipocondríaca) e que, após receber uma enorme verba como prêmio, resolve criar uma peça que seja uma grande obra, um contributo para a humanidade. Philip Seymour Hoffman, que o interpreta, realiza um trabalho sensacional.

A narrativa do filme é coerentemente confusa, com uma linha do tempo e noção da realidade que permitem que você sinta o que vive o protagonista. Esta, aliás, outra das temáticas do filme: o fato de sermos protagonistas das nossas vidas.

É o típico filme que sei que, se houvesse assistido numa sala do circuito comercial, pelo menos 50% dos 20 espectadores que estivessem presentes na sessão teriam saído antes do final. Acredito que essa definição é mais do que suficiente para destacar a qualidade sensível do filme, que felizmente assisti no conforto do meu lar, com todo o silêncio reflexivo que me era necessário.


Tuesday, April 21, 2009

La maison en petit cubes


La maison en petit cubes

As his town is flooded by water, an old man is forced to add additional levels onto his home with bricks (cubes) in order to stay dry.

(La maison en petit cubes ) Japão, 2008. Direção: Kunio Katô. Duração: 12 min.


Rafinha


La maison em petit cubes levou o Oscar de animação esse ano e mereceu.
O desenho é lindíssimo, do ponto de vista visual mesmo, parece feito com lápis de cor.
Um velhinho vive em uma cidade inundada e o nível da água não para de subir. Sempre que ela sobe demais, ele constrói outra casa em cima da sua. Pra mim isso é como uma metáfora do claustro e da solidão causada pela velhice, as casas vão ficando cada vez menores e o velhinho cada vez mais só, embora persista em se manter no mesmo lugar, talvez seja a teimosia própria dos idosos. Quando ele coloca seu escafandro (adoro essa palavra!) para buscar seu cachimbo que caiu na água, ele vai descendo pelas antigas casas e relembrando sua vida, o casamento, o nascimento dos filhos. A animação é muda e palavras só iriam estragar sua beleza.


M.

Triste, triste, triste. Talvez nem seja tanto, mas trata de temas que falam especialmente à minha sensibilidade, que são a velhice e o passar do tempo.

A trama é sobre um velhinho que mora numa cidade em que a maré vai subindo e inundando tudo ao longo do tempo, de modo que ele tem que ir construindo sempre uma casa nova em cima da sua casa antiga. Num dado momento ele perde seu cachimbo e tem que mergulhar para recuperá-lo, revisitando as suas antigas moradas.

Achei uma boa metáfora para o passar do tempo, que é mesmo assim, vai engolindo tudo o que já passou, não nos deixando nada além de lembranças, que podem ser revisitadas, mas nunca verdadeiramente revividas. Me fez recordar de uma passagem de “As Horas” (leiam o livro e vejam o filme), em que uma das personagens centrais comenta como num dado momento da sua vida, em que tudo era belo, acreditou que ali estava começando a sua felicidade, apenas para depois descobrir que ali não era o início, mas sim o momento em que realmente havia sido feliz.

Animação sensível, triste, bonita e indicada.

Monday, April 20, 2009

Dead Snow - Død snø



Dead Snow - Død snø

Um grupo de amigos vai a uma estação de esqui isolada pela neve e em meio a bebidas, sexo e drogas, um velho aparece e conta uma história de horror sobre nazistas amaldiçoados. Ao encontrar um baú cheio de ouro eles inadvertidamente erguem um exército de zumbis nazistas.

(Død snø ) Noruega, 2009. Direção: Tommy Wirkola. Elenco: Charlotte Frogner, Ørjan Gamst , Stig Frode Henriksen , Vegar Hoel , Jeppe Laursen , Evy Kasseth Røsten . Duração: 90 min.

Rafinha

Dead Snow é um fime norueguês sobre zumbis nazistas. Eu achei a idéia inovadora – mesmo que vilão nazista seja algo bem clichê - afinal há um monte de filmes com zumbis que não se atreveram a usar o tema nazismo, update: em minhas pesquisas pela net descobri que existe sim dois filmes com zumbis nazistas, zombie lake, de 1981, dirigido por Jean Rollin e Oasis of the zombies, também de 1981, dirigido por Jesus Franco.

Meu irmão disse que o jogo Call of Duty 5 já fez essa mistura, mas sobre isso não posso dizer nada porque nunca joguei. Veja bem, todos os clichês estão lá, mas isso conta pontos positivos, afinal zumbis são carniceiros, oras! A abertura tendo como trilha “In the hall of the mountain king” dá uma idéia boa do que o espera na próxima hora e meia.
A variação em torno do tema é grande, já tem zumbi empregado doméstico (Fido), zumbi trabalhando em freak show (Terra dos mortos), zumbi que tem medo da luz do sol (Eu sou a lenda), zumbi gay, zumbi cantor sertanejo, zumbi apresentador de talk show etc
Bom, em Dead Snow um grupo de amigos vai para as montanhas nevadas da Noruega passar o feriado da páscoa. A cabana na qual eles ficam é bem isolada do mundo e nem celular pega. Tem um gordinho nerd que começa uma conversa sobre filmes de terror onde grupos de amigos vão passar férias em locais ermos. Eu achei conveniente ele tocar no assunto. Em outro momento, um personagem comenta que as melhores piadas são sobre cocô, xixi e esperma, mas não é isso que se vê, o humor do filme é inteligente, se fosse um filme americano com certeza veríamos mais piadas imbecis.
E o mais importante: os zumbis! Eles são nazistas! E correm como se o próprio Fuhrer estivesse a chicotear-lhes as costas. Não há explicação para o fato deles serem zumbis – sollanum, t-virus, meteoro radioativo ou vudu? -, para o fato de serem nazistas há. Durante a segunda guerra, soldados alemães montaram uma base no local que fica a cabana, e saíram saqueando as casas da região, matando quem se recusasse a entregar o ouro da família. Um belo dia os cidadãos se revoltam e saem à caça dos filhos da puta e acabam matando muitos deles, quem não morreu à marteladas acabou morrendo de frio. Ainda existe uma caixinha cheia de jóias em um esconderijo – não tão escondido assim – dentro da cabana. E é esse tesouro que os zumbis querem. Aí começa a matança e o mais legal de tudo, os zumbis gostam de brincar com a comida. E tome-lhe murro, pontapé, facada na barriga, retirada de intestino grosso, martelada na cabeça e toda sorte de divertimentos gratuitos.
Dead Snow faz parte da seleção oficial de Sundance 2009. É sempre bom saber essas coisas. E a trilha sonora é puro rock and roll!
É o melhor filme de zumbis que eu já vi nessa vida? Claro que não! Mas que vale a pena ver, isso vale.


M.

ZUMBIS CORREDORES NAZISTAS, CARALHO! É the ultimate zombie menace uma porra dessas! Acho que por este intróito já deu pra ver que achei o filme legal, bem como fazer um breve resumo do enredo. Se trata de um filme de zumbis-corredores-nazistas, que estão em busca do ouro (meu ouro!).

É uma produção de algum desses países europeus frios e de língua alienígena, o que por si só já torna a coisa mais interessante, já que amplia as chances de uma releitura de um tema tão batido, visto por olhos de outra cultura que não a dos norte-americanos.

O que sei é que, justificativas culturais à parte, os zumbis nesse filme fogem um pouquinho do padrão geral de zumbis: se comunicam – ainda que de uma forma meio tosca – obedecem a uma hierarquia militar, usam aparatos tecnológicos e seguem um pouco a lógica de “assombração presa a um tesouro”. Por outro lado, são zumbis escrotões que querem matar todo mundo mesmo e pronto. Embora tenham uma preferência alimentar mais vinculada a tripas do que a cérebros, vale salientar.

Se gosta de filmes de zumbi, pode ir com fé! Muito sangue, mesclado com cenas de humor e ação, na medida certa; ou seja, a fórmula aplicada direitinho.